segunda-feira, junho 16, 2008

Paz Criativa ou Raiva e Desespero?

DIÁRIO DE BORDO DA TERRA
JUNHO DE 2008
por Celia Fenn

9 de Junho: Paz Criativa ou Raiva e Desespero? A Escolha que temos Hoje: Ontem tive que escrever algo para o trabalho que farei em Toronto no Canadá em Agosto deste ano. Aqui está alguma coisa do que escrevi:

“A Paz não é somente a ausência de conflito, é muito mais que isso. É um profundo estado de consciência que expressa amor, compaixão e unidade através da criatividade. Para sair do conflito que há em nossas vidas e no mundo, temos que entrar nesse estado de criatividade, paz e harmonia”.

Isto parece especialmente importante agora que estamos atravessando este ano tão difícil de novas escolhas e novos começos. Quando olho as notícias nos meios, vejo as provas desta raiva e desespero tão profundos. Ontem no Japão um homem de aproximadamente vinte anos em um ataque de raiva matou à toa várias pessoas em um bairro. Este não é exclusivamente um fenômeno Japonês, relaciona-se com outros incidentes similares em outros países, em que gente jovem recorre a formas violentas de expressar sua ira diante da aparência penosa e carente de sentido de suas vidas, quer seja disparando sobre os transeuntes em centros comerciais ou escolas, ou mediante a violência xenofóbica que recentemente se infestou em meu próprio país.

E assim parece como se estivéssemos sendo devastados pela ira e o desespero no nosso modo de vida: aquecimento global, falta de mantimentos, elevados preços da energia, desemprego... e assim por diante. Muitos destas crises e pressões estão relacionadas com o fato de que o Planeta Terra mudou de maneira irrevogável e nos tornamos um planeta de cidades com todos os problemas que segue com a alta densidade de população nas cidades modernas no século XXI. Parece-nos que estamos presos em uma luta pela nossa própria sobrevivência e não nos sentimos precisamente como se estivéssemos ganhando. O processo de Ascensão nos está fazendo mais conscientes, mas não necessariamente nos fornece as ferramentas para dirigir esta nova etapa de nossa evolução. Temos nos curado e a nossa criança interior, mas nos sentimos infelizes e sós. Vimos “O Segredo” e usamos todas as técnicas, mas ainda não parece que tenhamos suficiente em nossas vidas.

E assim eu sugiro que nesta próxima fase temos que entrar nesta nova consciência da Paz Criativa. Temos que aceitar que, como um Coletivo, escolhemos criar cidades e habitar nas cidades, e temos que encontrar maneiras de fazer que a vida em nossas cidades seja uma forma de viver no Paraíso. Quando trabalhei com Arcanjo Miguel no Brasil com a Chama Dourada da Abundância e os Códigos do Paraíso na Amazônia, vi claramente que o “Paraíso” é um estado no qual todas as coisas estão em Equilíbrio e Co-existem em um fluxo de energia e alegria. Não pode ser dito que isto seja verdade em nossas cidades. Criamos zonas imensas onde vivemos juntos, mas descobrimos ainda como criar esse fluxo entre nós mesmos e os outros e entre nós mesmos e a natureza, que constituirá a consciência do Paraíso.

Isto não vai acontecer em um dia, acontecerá quando nós, como Coletivo, fizermos esta escolha. Acontecerá quando nós, como Trabalhadores da Luz, despertarmos o suficientemente para nos tornarmos conscientes de onde estamos colocando nossa energia. Quer seja se estivermos temendo e esperando por uma enorme destruição de nossas cidades em desastres “naturais”, ou se mudamos para uma Paz Criativa e começando a sonhar um novo sonho para nossas cidades. Despertem os “Códigos do Paraíso” para nossas cidades, para que possamos criar um fluxo e um equilíbrio que trarão de volta a luz e o sentido às vidas das pessoas que vivem nas cidades. Não podemos viver todos em pequena cidades e ilhas tropicais, a maioria de nós vivem em cidades grandes e aí é onde criaremos o Paraíso.

Pois bem, ontem enquanto olhava as notícias, me deparei com um artigo titulado “Eco-arquitetura, não ego-arquitetura”. Falava do ex-prefeito da cidade Brasileira de Curitiba, Jaime Lerner, e de suas experiências em trazer uma mudança positiva para Curitiba. Isto me chamou a atenção porque estive recentemente no Brasil e me deixou impressionada a energia e a visão dos Brasileiros. Angela, que organizou nosso workshop no Brasil, é de Curitiba, e é uma pessoa muito positiva, do gênero “determinado”. De fato foi incrível. Decidimos visitar Foz do Iguaçu na última hora, e Angela teve cerca de 5 semanas para organizar um workshop em uma outra cidade, encontrar um local, fazer todos os preparativos e encontrar as pessoas pata atender. Como podem ver nas imagens do Diário de Bordo da Terra do mês passado, foi maravilhoso, assim parece que as pessoas em Curitiba estejam ligados a isso talvez ....

Então, aqui estão algumas palavras positivas de Jaime Lerner, do Brasil:

“Curitiba não é um paraíso. Temos todos os problemas comuns que a maioria das cidades latino-americanas têm. Temos favelas. Temos as mesmas dificuldades, mas a grande diferença é o respeito dado pelas pessoas à qualidade dos serviços que são fornecidos.

Chegamos a compreender que para mudar uma cidade você precisa de vontade política. Em segundo lugar, é necessário uma boa estratégia. Depois é preciso solidariedade e um sentido de co-responsabilidade.

“Darei a vocês um exemplo de co-responsabilidade. Quando era governador, tivemos que limpar as enseadas. Em nosso estado propusemos aos pescadores a equação da co-responsabilidade. Dissemos: “Se pescarem um peixe, esse peixe pertence a você. Se recolherem lixo, iremos pagar a vocês. Quanta mais lixo pescarem, mais dinheiro terão”. Quanto mais limpa a baía estiver, mais peixes terão. É uma solução de ganho mutuo.

Depois de ter trabalhado em cidades durante 40 anos, eu estou dizendo á vocês que qualquer cidade pode melhorar sua qualidade de vida em menos de três anos, independentemente de sua escala ou condições econômicas. Tudo o que têm a fazer é organizar uma boa equação. A criatividade começa quando você corta um zero do seu orçamento.

Poderia dizer que há três questões chave que são muito importantes, não só para a cidade em si mesmo mas também para todo o gênero humano. Um é o problema da mobilidade. Outra o da sustentabilidade. O outro é a diversidade social e a co-existência .

Agora tememos a mudança climático e a questão da sustentabilidade. Existe o sentimento de que todos somos pacientes terminais sem que haja nada que possamos fazer. Mas há muitas coisas que podemos fazer. Tenho estado em encontros em todo mundo a respeito de novos materiais, edifícios verdes, novas fontes de energia, reciclagem - elas são muito importantes, mas não suficientes. Quando nos damos conta de que 75 % das emissões de carbono provêm das cidades, compreendemos que temos que trabalhar na concepção das cidades.

.....

Uma cidade é uma estrutura para a vida e o trabalho juntos. Depois de todos estes anos compreendi que uma cidade que tem uma boa qualidade de vida atrai empregos. As pessoas não querem investir em lugares se ali não existe qualidade de vida.

Tudo (em Curitiba) começou com as crianças. Durante seis meses começamos a ensinar as crianças de todas as escolas a separar o lixo e eles ensinaram isso a seus pais. Por isso desde 1989, durante quase vinte anos, a cidade de Curitiba teve a taxa mais elevada de coleta seletiva de lixo no mundo, em 70 %. Tudo começa com as crianças. Eu sou obcecado com a idéia de fazer que as crianças compreendam sua própria cidade porque, se a compreenderem, eles a respeitarão mais.

......

De algum modo toda cidade precisa mudar. Minha sensação a respeito das mega-cidades é que elas estão perdendo tempo. Estamos vivendo aqui, trabalhamos aqui, mas tirando o lazer em outros lugares. Uma das razões de eu estar tão orgulhoso de minha cidade é que cerca de 80 % da população vive nos diferentes bairros. Se você quer ter uma cidade humana, mescle as funções urbanas, mescle os salários, mescle as idades. Isso é bom para a coexistência, para a diversidade social, e isso reduz a violência. Percebemos de que a cidade é o que traz solidariedade. As cidades não são problemas, são soluções.

A diversidade e a qualidade de vida são maravilhosas. Eu gostaria de acrescentar que uma cidade comprometida com seu futuro, na qual as pessoas são o mais importante, é uma bela cidade. Temos que mudar da “ego-arquitetura” para a !eco-arquitetura”....”

Assim, neste tempo de mudança, escolha e novos começos, acredito que temos que estar suficientemente despertos para sair da “ilusão” de que todos somos “pacientes terminais” como Lerner coloca aqui, e ver que temos a habilidade de criar algo diferente. Somente podemos fazer isto se liberarmos o medo, a ira, a destruição e trevas, e começarmos a criar soluções positivas das crenças e energias positivas a respeito de nosso futuro neste Planeta de Quinta-Dimensão.

Podemos fazer isto por nossas Crianças.
Podemos fazer isto com nossas Crianças.
Podemos começar hoje ao fazer a escolha de passar para um estado de Amor, Harmonia e Paz Criativa.
É nossa Escolha.


Tradução: Silvia Tognato Magini silvia@starchildglobal.com
Fonte: http://www.starchildglobal.com/portuguesa/earthlog/june2008-pt.html
http://www.starchildglobal.com/portuguesa
© 2007-8 Celia Fenn e Starchild Global

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