A ESTÓRIA DE DALRY
MÃES E AVÓS... Os aspectos visíveis e invisíveis de um bombardeio suicida em
Jerusalém em 2002 e 6 ANOS MAIS TARDE.
Esta é a estória como Dalry me enviou. Eu deixei que ela fosse contada com suas
próprias palavras.
Eu lhe pedi que ela fornecesse uma breve biografia, de modo que vocês possam ter uma
compreensão da energia do Feminino Divino da Avó "guerreira", enquanto ela conta a
sua estória. Obrigada... Dalry".
Eu me considero uma velha e comum avó Australiana... algo como uma "Pioneira"
talvez... nunca como alguém da multidão... sempre à frente dos tempos (sem nunca
pretendê-lo).
Nascida com um defeito congênito nos rins... com o qual eu não tive
intenção de prosseguir... assim em torno dos meus quarenta anos, eu me determinei a
mudar o meu DNA. Casada, divorciada, casada, viúva. 4 magníficas crianças. 8
descendentes.
Tendo passado recentemente o meu 70º aniversário, eu acho que cheguei
a círculo completo, como a serpente que morde a sua cauda. E não apenas eu. Toda a
HUMANIDADE NA TERRA pareceria estar atualmente preenchendo uma época.
Aqueles que
fizeram a mudança para a DIMENSÃO HOLOGRÁFICA... o "Eterno Aqui e Agora"... terão
compreendido como eu que NÓS SOMOS REALMENTE UM EM ESPÍRITO! Meu "Sonho Impossível"
é que deveríamos alcançar o outro AGORA e fazer e responder estas ansiosas
perguntas. Quem sou? De onde eu vim? Por que estou aqui? O que eu espero realizar
nesta existência a fim de satisfazer o meu potencial total?
Embora eu ensinasse na universidade em Padang West Sumatra por 3 anos, de 1990 a
1993... A "Vida" foi a minha própria universidade. "Meu campus"?.. tanto quanto eu
possa obter como experiência do mundo enquanto estou ainda em um corpo.
Aos 24 anos,
como mãe de três crianças pequenas, eu me tornei uma executiva com H. J. Heinz
(sopas e alimentos para bebês), com uma equipe relativamente grande dispersa através
de Queensland. Isto foi há muito tempo nos anos sessenta.
Mais tarde eu abri uma
Agência de Demonstração e uma Escola Padrão de Beleza. Os objetivos do negócio eram
treinar e fornecer pessoal para promoções e relações públicas. O aspecto do negócio
me colocou em contato com o mundo corporativo e me ensinou muito em como funcionam
os manda-chuvas da humanidade.
Entretanto o meu objetivo principal sempre foi
proporcionar os meios para TODOS OS REINOS NATURAIS acrescido de homens, mulheres e
crianças... e em particular aqueles que passam por privações ou desvantagens... de
todas as idades e com diferentes experiências... para desenvolverem o seu mais pleno
potencial como seres humanos.
A Escola de Beleza evoluiu para uma Escola de
Auto-Crescimento com o lema: CONHEÇA-SE... ACEITE-SE... SEJA VOCÊ MESMO... APRENDA A
COMO VIVER EM HARMONIA... COM VOCÊ E COM O MUNDO A SUA VOLTA. Isto no decorrer de
muitos anos se transformou em uma série contínua de workshops e atividades de
enriquecimento da vida gratuitos. Agora 40 anos mais tarde, como uma avó de 8, eu
ainda sigo a filosofia da exploração interior do eu... e a exploração exterior de
"absolutamente tudo o que há".
Assim e quanto a Israel? Durante anos eu entreguei tudo e reduzi os meus pertences a
uma pequena mala de viagem. Minha única renda é a aposentadoria Australiana. Sem
seguro ou convênio. Confio em mim mesma e no universo.
Parti da Austrália em Março
de 1999. Viajei sozinha por 10 países. Encontrei muitas e muitas pessoas
maravilhosas! Cheguei em Israel em Abril de 2002. Queria passear em um burro. E o
fiz! Uma vovó raquítica e grisalha como eu. Dormi sob as estrelas por 24 dias do Mar
da Galiléia ao Mar Morto. Este é verdadeiramente um planeta surpreendente e a
humanidade é magnífica!
Amor e Luz
Dalry
ISTO É PARA AS AVÓS E MÃES DE ISRAEL... E EM PARTICULAR AQUELAS QUE PERDERAM OS
AMADOS NO CONFLITO
Eu deixei Israel em Outubro de 2005... tendo permanecido lá por quase 3 anos (os
últimos 2 ilegalmente) porque EM CONSEQÜÊNCIA DO BOMBARDEIO SUICIDA eu tive que
chegar a alguma compreensão do contexto histórico e pessoal do conflito.
Apesar de
não ser nem Judia ou Árabe, eu tinha um anseio desesperado de FAZER algo. Embora eu
encontrasse muitas pessoas maravilhosas e me lançasse em várias tentativas de
"encontrar um meio"... uma esperança era mobilizar as Avós do mundo para que usassem
a sua influência... nada que eu tentasse parecia funcionar. Tudo parecia estar se
reunindo e então no momento crucial tudo se despedaçaria... despedaçou o meu
espírito... despedaçou o meu coração...
Agora todos estão nisto novamente!!!!! Bem, desta vez talvez haja uma força de
mobilização CONTRA O USO DA VIOLÊNCIA... uma força que nem os Israelitas ou os
Palestinos ou qualquer outra agência humana pode predominar... AQUELES QUE PERDERAM
AS SUAS VIDAS COM A VIOLÊNCIA COMEÇARAM A FAZER ALGUMA COISA EM RELAÇÃO A ISTO.
Possamos todos confiar em Deus para que a sua vontade ao perdão e à liberdade possa
prevalecer.
Embora eu seja uma das participantes, a seguinte história é contada no interesse de
MUITOS OUTROS... mais do que eu possa dizer. Nos eventos relacionados ao bombardeio
suicida eu fui essencialmente uma TESTEMUNHA... UMA TESTEMUNHA ANÔNIMA... UMA PESSOA
SEM NENHUMA CONSEQÜÊNCIA E COMO TAL EU DEVERIA PERMANECER.
Chega Segunda-Feira, 30 de Junho de 2008... Eu estou adormecida em meu apartamento
na Malásia.
Eles vieram até mim... as pessoas mortas que tinham explodido no bombardeio suicida
ao qual fui testemunha em Jerusalém. Elas surgiram em minha consciência no topo de
uma onda de purificação. Quando eles têm a minha atenção, falam como um. Nós estamos
muito felizes pois você finalmente o compreendeu bem... o que você escreveu para si
mesma sobre o bombardeio. Agora finalmente podemos prosseguir!
Eu me estimulei para fazer a pergunta que esteve em minha mente por 6 anos: "E
quanto ao bombardeiro? O que aconteceu ao bombardeiro?"
Em uma única voz eles responderam: "A jovem mulher que o destino escolheu como o
instrumento? Ela está aqui conosco... ela é uma de nós... ela perdoou e foi
perdoada. Ela assumiu a responsabilidade por sua vida... e por sua morte. Agora ela
está livre! É por isto que viemos. Para deixar que o mundo saiba... não apenas os
humanos, mas o MUNDO TODO e TUDO NELE... que se NÓS podemos perdoar ELES PODEM
PERDOAR!
O dia em questão é 12 de Abril de 2002, Sexta-Feira. Eu cheguei em Israel no dia 4.
Na última semana, a minha exploração desta fabulosa cidade levou-me muito longe.
Tudo em Israel fecha cedo, na tarde de Sexta-Feira, de modo que os Judeus que vivem
aqui possam se preparar para o Shabbat, do qual eu ouvi mencionar, mas ainda não me
tinham explicado. Do que eu aprendi até aqui, a noite de Sexta-Feira é a sua noite
mais sagrada da semana. Todos visitam a sua família para um jantar especial.
Mais cedo nesta agradável tarde de primavera eu mastiguei um sanduíche recheado com
um pedaço de cordeiro e salada.. muito saboroso e surpreendentemente recheado.Desde
então eu estive descansando à sombra de uma árvore com um livro. A refeição, o calor
do sol, e um sentimento de admiração por estar realmente em Jerusalém, deixaram-me
sentindo deliciosamente satisfeita, como que sonolenta e relaxada.
Por estar viajando sozinha através de cerca de doze países tão diferentes nos
últimos anos, eu não estou atualizada com os eventos atuais, assim um sonoro
estrondo me abalou completamente! O livro caiu das minhas mãos. Eu deixei escapar um
suspiro involuntário. Dei uma pequena risada. Poderia isto ser uma explosão? Aqui!
No centro de Jerusalém, uma das cidades mais sagradas no mundo? Eu sacudi a minha
cabeça. Não pode ser! Pois o que pareceu uma era, eu fiquei paralisada, enquanto as
reverberações ecoavam em meus ossos!
Eu alcancei o livro. Com a aflição a minha mão estava tremendo. Eu levantei o livro
pretendendo resumir a leitura, mas em menos do que 10 batimentos cardíacos as
sirenes começaram. O som das sirenes ecoavam sinistramente nas ruas vazias. Muitas
sirenes. Elas estavam se aproximando. Distantes à esquerda, então circulando a outra
extremidade do mercado próximo. Aqui em minha pequena ilha de tranqüilidade eu não
descubro nenhuma mudança exterior, entretanto as sirenes continuavam mais e mais...
Eu pensei: "Meu Deus, isto deve ter sido uma grande colisão!"
As sirenes pararam. Eu olhava o espaço esperando. Esperando pelo quê? Uma voz rompe
o silêncio. A minha própria voz. Muito trivialmente eu comento: "Sem perguntas! Este
tipo de barulho poderia somente ter sido provocado por uma colisão no tráfego. Não
distante também". Mas agora eu compreendi que o acidente deve ter sido muito próximo
realmente. E deve ter envolvido um grande número de pessoas para justificar tantas
ambulâncias.
Desde que a minha paz tinha sido interrompida, eu decidi dá-la por encerrado e
começar a minha caminhada de volta para o hotel. Como eu era uma estrangeira, eu não
tinha idéia de onde eu estava, mas me pus em marcha na direção geral. Isto me levou
através da área deserta do mercado.
Em contraste com a grande atividade anterior de
uma manhã agitada de Sexta-Feira, o mercado estava silencioso e vazio. Enquanto eu
caminhava entre os boxes abandonados, tudo parecia normal. No final do dia os
entulhos e resíduos estavam espalhados pelo chão.
Mesas expostas estavam viradas. Em
algumas, caixas de papelão negligenciadas mantinham algumas peças de produtos não
vendidos. Uma velha senhora procurava alimentos que restaram. Um homem com um casaco
rasgado se arrastava entre os entulhos, colocando algumas frutas em uma sacola de
pano. Ele inclinou a sua cabeça em saudação, enquanto eu passava e segurava duas
laranjas, uma maçã e uma pêra para a minha inspeção. Nós trocamos um sorriso
conspirador. Eu lhe enviei amor.
Por que a extremidade do mercado estava impedida? Um sólido grupo de pessoas, menos
do que doze estavam impedindo a saída para a rodovia principal. Enquanto os meus pés
eram atraídos irresistivelmente para esta convidativa extremidade, alguém vociferou
uma ordem. O grupo à frente se dispersou em desordem, possibilitando-me a avançar
para o espaço vago, e eu vi, Querido Deus, eu vi!
Uma pessoa desconhecida tinha
provocado uma explosão e ela e muitos outros estavam em pedaços. Muito literalmente
em pedaços! Grandes pedaços, pequenos pedaços, minúsculos pedaços! Há menos de vinte
minutos estes pedaços e partes eram pessoas. Vivas! Respirando!
Eu fiquei petrificada. Alguns atrás de mim ergueram uma barreira provisória. De
algum modo eu estava incluída na barreira. Se qualquer pessoa tentasse me mover eu
me abalaria. Como um reflexo dos eventos eu já me despedaçara.
A morte tem um odor. A morte por explosão tem um odor característico. Um odor que o
agarra em um pernicioso abraço! Metálico! Nauseante! Claustrofóbico! Encerrada em
minha mortalha de silêncio eu estava vagamente consciente do movimento no chão a
minha frente. As pessoas se sentavam, se deitavam, se curvavam, se levantavam!
Algumas das pessoas no chão eram muito pequenas. Crianças!
Ah! Eu percebo agora quem eram estas pessoas estranhamente agrupadas. Os médicos
estavam separando os mortos dos feridos. Algumas destas "pessoas" eram realmente
corpos mortos. Os feridos estavam sendo atendidos em primeiro lugar. Eu observava
enquanto as ambulâncias carregavam e partiam. Um fluxo constante... não apenas
ambulâncias. Outros veículos estavam presentes também! Ah! E eu percebia quem eram
ESTAS pessoas. Elas eram do Serviços de Emergência e da Polícia.
Havia também outras pessoas vestidas de branco. Elas usavam luvas e carregavam sacos
plásticos. Elas estavam apanhando coisas com grandes pinças, eu não estou certa do
que, e colocando-as nos sacos. Isto poderia ser evidência? Que tipo de evidência??
Elas removeram ao redor de mim em uma massa frenética, todas estas categorias
diferentes de pessoas. Um homem com um macacão me conduziu firmemente para um lado.
Ele falava em Hebraico. Eu não respondi imediatamente, assim alguém me levou
gentilmente pelos ombros e me fez recuar um passo ou dois, de modo que eles pudessem
amarrar uma corda a fim de isolar esta área. Eu chorava silenciosamente de vez em
quando. Parecia estúpido realmente; ninguém mais estava chorando.
Em um tempo surpreendentemente curto a crise se resolveu rapidamente, enquanto os
mortos e feridos eram examinados, tratados e transportados. Os oficiais
imediatamente isolaram com cordas o restante da área dizimada. A primeira onda da
mídia chegou! Muito tarde! Nada restou do massacre, além de pequenos resíduos. Até o
odor se dissipou.
A função começava a retornar aos meus membros, mas eu ainda não era capaz de um
movimento intencional. Em qualquer caso não havia passagem. Eu assistia os homens de
branco trazerem uma escada e colocá-la contra o pilar de ébano da barraca arruinada.
Um homem subiu na escada enquanto outro a segurava firmemente. Trapos de lonas
esvoaçavam da beira da barraca durante todo o tempo, ao redor de 3 lados. O homem de
branco os estava removendo delicadamente com as suas pinças. ESTA FOI A ÚLTIMA PARTE
DA SITUAÇÃO COMPLICADA... ATÉ AGORA SEIS ANOS MAIS TARDE EU FUI INCAPAZ DE
RECONHECER QUE ESTES TRAPOS ERAM CARNE HUMANA... a carne humana fragmentada após uma
explosão parece lona esfarrapada.
Eu permaneci lá, as minhas faculdades ativas recordavam a cena com todo o seu horror
e fascinação - nada omitindo! Meus olhos - meus ouvidos - todos os meus sentidos,
todos os meus sentimentos, cada derradeira partícula sub atômica minha estavam em
alerta! Mas eu não estava lá! Eu não estava mais em lugar algum.
Partes minhas
fraturadas tinham se afastado para algum lugar inabitado de mim mesma que antes eu
não sabia existir. A minha parte animal se enrolou em um canto, confusa e escondida.
A criança estava assustada, porém curiosa. A adolescente estava excitada... excitada
pelo horror.
A filha em mim estava se suprindo de justa raiva, não somente pelos
meus próprios pais, mas por todos os pais em todos os lugares. A mãe estava
desenvolvendo o ódio pela maternidade. O puro ato de conceber um filho parecia uma
profanação diante do massacre que eu estava testemunhando - esta criança pode
crescer para fazer isto com outro!
Eventualmente eu encontrei a minha saída para a rua. Inclinei-me contra um poste de
iluminação. Observei. Os operadores de vídeo e os repórteres passavam
apressadamente, procurando... ! O que eles ESTAVAM procurando? Restos repulsivos?
Uma entrevista com um sobrevivente? E quanto a mim? O que eu estava procurando?
Parece que eu fui chamada aqui como testemunha. Assim QUEM era a testemunha, a
mulher em mim? Mas não HÁ mulher, o EU essencial não mais existe.
A MINHA ESSÊNCIA
FOI DESPEDAÇADA. As partes fraturadas, o animal... a criança... a mãe... ainda retêm
algo de mim... fragmentos meus que eu ainda posso identificar... mas e os pedaços e
partes despedaçados lá fora se misturando com todos os outros pedaços e partes
despedaçados? O que estava acontecendo a sua identidade?
Eu me observava atentamente... e eu ponderava. A tempo eu percebia/experienciava o
aparecimento de um fragmento restante de identidade. Uma avó! Uma experiente e comum
avó, uma de milhões. Ah! Foi ELA quem foi chamada aqui como testemunha! Mas por que?
Por que ELA? Qual poderia ser o ponto? Ela não era especial. Ela não tinha
autoridade. Ela não era nem mesmo instruída. Certamente ela não tinha influência!
Apenas uma avó comum e experiente... Talvez seja porque ela foi equilibrada pela
vida para ser... para ser o que?... Compassiva? Imparcial? Resoluta? Formidável?...
Não! Não! Não! Não! Ela foi chamada aqui por nenhuma outra razão que não a de ser
APENAS uma avó comum e experiente... UMA avó com milhões de faces.
Alguns jovens Judeus vestidos de calças pretas e camisas brancas, com pequenos
barretes pretos em suas cabeças, fizeram um breve, mas fluente protesto. Os
operadores de vídeo se reuniram para filmá-los momentaneamente, enquanto eles
cantavam.
Então a polícia se aproximou e os afastou. Vários repórteres se
precipitaram sobre um homem que chegara recentemente. Ele era um "alguém" e falava
Inglês. Por estar próxima eu ouvi por acaso o que ele dizia. Meu coração me dizia
que o silêncio talvez fosse mais apropriado. As suas palavras banais decisivamente
tratariam da causa, aliviariam o efeito? Silêncio! Melhor optar pelo silêncio.
EMBORA EU NÃO TIVESSE IDÉIA NO MOMENTO ESTE TERIA SIDO COLIN POWELL.
Um dos feridos avançava com dificuldade preocupado com os amigos ou a família! Ele
estava descalço e vestia shorts. As bandagens brancas pareciam grotescamente fora do
lugar, contra a pele bronzeada, pés sujos e descalços, e o tronco manchado de
sangue. Estranho! Era ele quem estava tentando alegrar os seus amigos.
Tranqüilizá-los? Eles não deveriam o estar tranqüilizando?
Para alguém que estivesse observando, tudo parecia se mover muito lentamente, como
observar o oceano e esperar pela sétima onda. Alguém entrou no ônibus. Ele deu
partida. Embora a carroçaria do ônibus estivesse queimada, destroçada e contorcida,
muito ilogicamente o motor ainda funcionava.
Diligentemente a carroçaria retorcida
de aço e borracha, prosseguiu no seu caminho pela rodovia. Agora os resíduos de
carne humana e outras evidências poderiam ser reunidos em sacos plásticos. Em um
sonho eu segui atrás do ônibus, fazendo uma amplo desvio ao redor do bloqueio, para
evitar a frágil barricada.
Por que se tornou tão imperativo que eu ficasse próxima
ao ônibus? Eu me aproximei timidamente. Já os destroços tinham sido isolados com
cordão em seu novo local por um faixa laranja. Eu me posicionei e prestei uma
homenagem ao aço contorcido, como fazem os soldados quando ele tocam o último toque
de recolher.
Retornando à cena do massacre, eu assistia fascinada até que a última ambulância se
retirasse. Até os resíduos queimados da barraca foram removidos. Até a multidão se
dispersou! Até a mídia partiu! Até o último fragmento de carne foi recolhido! Até as
barreiras foram removidas possibilitando que o trânsito prosseguisse! Até todos se
foram e a parada de ônibus profanada restabeleceu uma aparência de normalidade.!
Somente então, quando a área estava completamente vazia, eu fui atraída a um espaço
mistificado deixado pelo ônibus. Elas ainda estavam lá? As pessoas que morreram? E
quanto aos meus pedaços? Os meus pedaços ainda estavam lá? Eu estava presa por um
pensamento inoportuno: "Como os homens de branco saberiam quais daqueles pedaços
reunidos de carne pertenciam ao bombardeiro?"
Eu continuei a me observar à distância. Eu nada sentia. Em algum ponto a minha
capacidade de sentir foi arrastada em um fluxo de descrença, embora durante todo o
processo eu estivesse transmitindo amor. Não! Não apenas amor. Amor e luz! Preenchi
o ônibus com a luz do amor e todo o espaço em volta. Preenchi todo o mercado com
amor e luz. Quando eu estava satisfeita por ter feito o que podia, eu pude
prosseguir, abandonando todas as minhas partes despedaçadas para que confortassem os
mortos.
JUNHO DE 2008
Meu apartamento... Málaca... Malásia!
Agora aqui do outro lado do mundo, os mortos vieram me confortar. Quando eu comecei
a estremecer e a me debulhar em lágrimas, chorei e ri ao mesmo tempo, com felicidade
e liberação... Eles ofereceram confiança: "Sim! Chore! Chore até rir. As lágrimas e
o riso nos fortalecem. AGORA OUÇA CUIDADOSAMENTE! Nós que fomos mortos em explosões
pretendemos libertar este planeta... definitivamente... da crença e da vitimização.
Nós somos suficientes agora para fazer com que isto aconteça".
Eu me soltei e recuei. Abri os meus olhos. Suficientes????
Eu olhei a minha volta. Querido Deus, havia milhões... todos eles em um momento ou
outro explodiram em pedaços. Nós fomos todos mantidos em um holograma de amor e luz.
Eu sequei as lágrimas e me sentei na cama... levemente perplexa agora... de certo
modo indecisa. Subitamente eu tive um insight do por que eles estavam aqui. Sem
pensar eu disse: "Não! Não! Não! Não! Não! Seja o for que quisessem de mim... NÂO!"
Como eles poderiam fazer isto? Onde estava o equilíbrio? Eles eram inúmeros. Eu era
apenas uma! Minhas próximas palavras saíram como um coaxo. "POR FAVOR! POR FAVOR!
NÂO! Eu estou fraca e velha... Há muito tempo eu esgotei os meus recursos... Eu nada
tenho a oferecer. Eu pensei que terminara com tudo isto...! Verdadeiramente! Eu não
sou quem vocês querem."
Como uma única voz eles ignoraram o meu protesto. "Peça uma SEMANA DE LIBERDADE!
Liberdade da agressão! Liberdade do medo! Liberdade da carência! Liberdade da fome!
Liberdade da pobreza! Liberdade para SER VOCÊ MESMA!
"UMA SEMANA DE LIBERDADE?"
"Sim! UMA SEMANA DE LIBERDADE! Um por todos e todos por um! Isto é o que você deve
irradiar: NO INTERESSE DE TODOS AQUELES QUE ENCONTRARAM UM FINAL VIOLENTO... NÓS LHE
INVOCAMOS PARA INICIAR UMA SEMANA DE LIBERDADE a concluir no dia 11.11.2011."
"O décimo - primeiro do décimo - primeiro do décimo - primeiro! Mas faltam mais do
que 2 anos!"
"Não se preocupe! Será necessário este tempo. Enquanto isto CADA INDIVÍDUO pode ter
o seu ou a sua PRÓPRIA SEMANA DE LIBERDADE, talvez uma semana, ou até um mês. AS
CRIANÇAS AMARÃO A IDÉIA DE UMA SEMANA DE LIBERDADE.....!
EXATAMENTE! O que vocês precisam para isto é de uma criança... não uma avó esgotada!
"....... ENTÃO, POUCO A POUCO OS INDIVÍDUOS SE UNIRÃO PARA TER SEMANAS DE LIBERDADE
EM GRUPO! E ENTÃO SEMANAS DE LIBERDADE EM COMUNIDADE! E ENTÃO SEMANAS DE LIBERDADE
NACIONAIS! NÃO SE PREOCUPE! ISTO SE DESENVOLVERÁ! ... AS SEMENTES SERÃO ESPALHADAS
AOS QUATRO CANTOS DA TERRA NOS VENTOS DA LIBERDADE PARA CRIAR UM ADORÁVEL JARDIM...
UM JARDIM SE SONHOS SE REALIZARÁ!
Através de experiências passadas eu estou bem consciente que ao ser defrontada com
algo assim, é fora de propósito tentar se esconder ou fugir ou argumentar
incapacidade... Que Deus me ajude! Eu me interiorizo o suficiente para perguntar: "O
que você quer dizer por uma SEMANA DE LIBERDADE... como isto funcionaria?"
É ISTO EXATAMENTE! COM WORKSHOPS! WORKSHOPS EM ESCOLAS! WORKSHOPS NA COMUNIDADE!
WORKSHOPS EM TODOS OS LUGARES SOBRE A LIBERDADE ATRAVÉS DO PERDÃO!
COMEÇANDO COM A SOBERANIA PESSOAL!
Em seguida! RECONHECER A SOBERANIA PESSOAL DENTRO DA FAMÍLIA... ESTENDENDO A
SOBERANIA PESSOAL PARA OS AMIGOS E COLEGAS DE TRABALHO... então a LIBERDADE DENTRO
DA VIZINHANÇA E DA COMUNIDADE... A LIBERDADE DENTRO DA NAÇÃO... seguida pela
LIBERDADE ENTRE AS NAÇÕES... Finalmente a LIBERDADE DENTRO DO COSMOS.
************ Foi somente recentemente que eu me movi o suficiente além do egoísmo e
do meu sentimento pessoal de inadequação para compreender que assim como fizeram um
pedido nesta noite eles também fizeram uma concessão... ELES ME DEVOLVERAM AS MINHAS
PARTES E PEDAÇOS DESPEDAÇADOS QUE EU TINHA ABANDONADO NO BOMBARDEIO SUICIDA!
HONESTAMENTE EU NÃO SEI POR ONDE COMEÇAR COM ISTO, ASSIM ESTOU COMEÇANDO AGORA E COM
VOCÊS.
Amor e luz
Dalry
Para enviar um e-mail a Dalry, Por favor Clique aqui.
Tradução: Regina Drumond reginamadrumond@yahoo.com.br
Fonte: www.starchildglobal.com/portuguesa
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